sábado, 19 de maio de 2018

o poeta enquanto coisa




O poeta enquanto coisa
para Tonho França

Escrito a 16 mãos
8 cabeças
cada um com o seu tanto
catando palavras ao vento

cada qual com sua lida
cada qual com seu invento
comendo da minha comida
provando do meu labirinto

abbey road
easy rider
nova acrópole
absinto

Artur Gomes
Obs.: novo livro ganhando forma

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Traficagem



Traficagem

não é sagaranagem
nem sequer libidinagem
de Macunaíma com Oxum

é definição de Ednalda Almeida
para ilustração da capa do meu livro
Juras Secretas do pudor nenhum

metáfora concreta
para o traço lírico gráfico
de Felipe Stefani
como um poema ereto
qual espada de Ogum

re-leitura erótica do que está o-culto
entrelaçados entre dois corpos tensos
que se entregam ao  coito
sem problema algum

pernas coxas línguas dedos dentes
e o êxtase impresso
na estrutura muscular  de cada um

Artur Gomes
Para o meu próximo livro: O poeta enquanto coisa


terça-feira, 20 de março de 2018

federika me deixou a ver navios



Federika me deixou a ver navios

federika não me ama mais
jogou forma minha mala da fama
na varanda do seu cais
me  deixou a ver navios
nesse mar de tempestades
me deixou só na saudade
dos Recifes das  Viagens
do seu corpo cama cozinha
seu azeite sal com pimenta
as ervas que mais preciso
não sei onde mais encontrar
Zeus que me guarde em Juízo
para não me atirar do 8º Andar

Federicco Baudelaire




sexta-feira, 16 de março de 2018

artefato



artefato (poema sujo)

numa cidade abstrata
sem sentido ou significado
matadouro é arte concreta
veracidade é pecado
pago com pena de morte

esta máquina de escrever
fotografada em Itaguara
como um poema de Lorca
escrito em Nova Granada
cravado em Araraquara

você não sabe onde está
você não sabe onde  é
você não sabe de quem foi
este punhal na metáfora
que sangra a carne do boi

Artur Gomes

quinta-feira, 8 de março de 2018

Todo Dia É Dia Dela



Todo Dia É Dia Dela
Todo Dia É Dia D

Mulher
meu poema
se completa em teu vestido
roçando tua carne
no algodão tecido

Meu ofício é de poeta
pra rimar poema e blusa
e fica na tua pele
pelo tempo em que me usa

Artur Gomes


domingo, 25 de fevereiro de 2018

o fauno e a flauta


o fauno e a flauta

o fauno lê Baudelaire
do outro lado da trama
enquanto dorme a donzela
com uma rosa entre as coxas

o fauno traça o poema
na geografia do corpo
atravessa o vértice do tempo
com o seu falo em chamas
por não ter juízo

e com a flauta toca
pétala por pétala
na porta de entrada
do pontal do paraíso

Artur Gomes

imagem: Daniela Pace

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

um outro nada



um peixe mergulha
um outro nada

como não tenho um outro
nada a te oferecer
te ofereço flor de cactos
flor de lótus
flor de lírios
ou mesmo sexo
sendo flor ou faca fosse
nos poemas ácidos
em meus nervos óxidos

te ofereço tudo
sem nenhum apego
minhas arte/manhas

meu desassossego

Artur Gomes



o poeta enquanto coisa

O poeta enquanto coisa para Tonho França Escrito a 16 mãos 8 cabeças cada um com o seu tanto catando palavras ao vent...